Galeria Laura Marsiaj

Renata De Bonis: The Damage Done

24 de setembro de 2011 › 22 de outubro de 2011

Anexo
Renata De Bonis

A  mostra ocupará os 2 espaços da galeria. A exposição consiste em 8 pinturas em óleo sobre tela e duas instalações em bronze.

As pinturas, assim, como o título da exposição dialogam com música. O título da exposição veio de uma música de Neil Young, The Needle and The Damage Done.

A  mostra ocupará os 2 espaços da galeria. A exposição consiste em 8 pinturas em óleo sobre tela e duas instalações em bronze.

As pinturas, assim, como o título da exposição dialogam com música. O título da exposição veio de uma música de Neil Young, The Needle and The Damage Done.

Segue abaixo trechos do texto de Camila Belchior:

"Os pensamentos são as sombras dos nossos sentimentos - sempre mais escuros, mais vazios e mais simples." (Friedrich Nietzsche)
 
The Damage Done reúne um conjunto de obras de 2011 que revelam a sensibilidade aguçada de Renata de Bonis ao trazerem a tona o dualismo existencial que ao mesmo tempo paira sobre, e existe dentro de todos nós. Fruto de negociações complexas com suas sombras, este conjunto remete ao desconforto da angustiante experiência de sentir-se um membro estranho em sua própria vida. As poéticas pinturas a óleo e instalações, as situações superficialmente singelas, tornam-se mais complexas ao problematizarem suas dualidades, hora ao revelar pássaros em folhas secas que caem de uma árvore que lacrimeja em The Distance, ou na pilha varrida ao canto que dá nome a exposição; hora por sentir o pesar da institucionalização da liberdade na revoada de pássaros em bronze da instalação no anexo. De obra em obra a dicotomia da “insustentável leveza do ser” tão bem cunhada por Milan Kundera se revela e a experiência das obras passa a desencadear um processo de auto-questionamento sem volta ao nos reconhecermos ali, escancarados e desabrochados pela mão e vivências de outro. Já escreveu Nietzsche ao filosofar sobre o “Eterno Retorno”* que nossas vidas existem numa condição de dualidade eterna cíclica e que a negociação com nós mesmos é uma chave para a liberdade, mesmo que esta esteja presa ao peso de um ciclo inexorável:
 
"E se um dia ou uma noite um demônio se esgueirasse em tua mais solitária solidão e te dissesse: "Esta vida, assim como tu vives agora e como a viveste, terás de vivê-la ainda uma vez e ainda inúmeras vezes: e não haverá nela nada de novo, cada dor e cada prazer e cada pensamento e suspiro e tudo o que há de indivisivelmente pequeno e de grande em tua vida há de te retornar, e tudo na mesma ordem e sequência - e do mesmo modo esta aranha e este luar entre as árvores, e do mesmo modo este instante e eu próprio. A eterna ampulheta da existência será sempre virada outra vez - e tu com ela, poeirinha da poeira!". Não te lançarias ao chão e rangerias os dentes e amaldiçoarias o demônio que te falasses assim? Ou viveste alguma vez um instante descomunal, em que lhe responderías: "Tu és um deus e nunca ouvi nada mais divino!" Se esse pensamento adquirisse poder sobre ti, assim como tu és, ele te transformaria e talvez te triturasse: a pergunta diante de tudo e de cada coisa: "Quero isto ainda uma vez e inúmeras vezes?" pesaria como o mais pesado dos pesos sobre o teu agir! Ou, então, como terias de ficar de bem contigo e mesmo com a vida, para não desejar nada mais do que essa última, eterna confirmação e chancela?" (A Gaia Ciência)

texto de Camila Belchior

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